Friday, October 06, 2006

Versos a três.

presente no grito de dois paralelos no finito palco sujo
e nos ecos dos dias calados que sucederam as lágrimas fatais
e pelo corpo nu escorreu sal e água, que mais cortavam
rasgavam a alma
Um sorriso em alguma caixinha de música ecoa
abafa o silêncio da espera ao tecer as ausências em intrincados trabalhos de labirintos
em fios de palavras afinadas
Sem fim da linha melódica
de sonoros mornos
esquentam ao palpitar de pupilas
que pulsam no encontro das almas no fim da festa
nascem os beijos que mordem a calma
afogam a alma
refogam o corpo
carícias entre dedos e cabelos, entre desejos e sossegos
a mão passando na nuca despida, ao som da luz de si
silenciando medos de outrora
levitação, confusão, convulsão dos sentidos
com fusão de tecidos
Ten(si)onar
as vertigens da geometria em movimentos entorpecidos
e os poros respiram, enlouquecidos
êxtase! o sangue dança ao som do batuque central do peito; marca-passo
em vermelhos penhascos são transformados os secretos espaços
e surgem e ressurgem os espaços secretos de acordo com o passo marcado
A(cor)dando o dia
com a prosa derretida pela manhã clandestina
os versos de marfim refletem a luz do dia
Adiando os versos da noite no fim do mar
mar lar de si
dó sol
Ré(lembrando)
faço de mi(m ) um fá(rdo)
e escuto o [a]mar
- Ama?
(L )ama
-Cansa!


André Bonfim, Juliana Holanda, Fátima Muniz.

Saturday, June 24, 2006

Descobridora de humanidades.

Por que é tão difícil assumir-se humano? Por que mascarar? Por que ocultar? Por que esconder? Por que camuflar? Por que mentir? Por que disfarçar? Medo? Insegurança? Querer ser perfeito? Ser aceito? Sem defeito? Querer ser o que? O que não se é? E o que se é, como fica? Fica onde? Esmagado? Apertado? Aonde?

Mentiras deslavadas em verdades fabricadas? NÃO.


Ela é forte? Ela é fraca, cega e burra. Bate com a cabeça na parede, numa burrice sem igual, até sangrar. Dói e, quanto mais dor sentir, mais bate e se fere, mais insiste e persiste. Como se o muro fosse feito de nuvens e ela pudesse atravessá-lo. Não enxerga os lados, direita e esquerda estão tão livres... Quer seguir em frente, furar a pedra dura e fria. Carrega nas costas uma luta vã, palavras vãs, ações vãs, esforço desmedido em vão, é uma mulher toda em vão. Perceber, não querer ver, continuar. Fraca, cega e burra. Descobre todas as suas humanidades ao esbarrar na solidez. O medo de partir, de mudar, dar o adeus já tão atrasado. Não as nega, pega com as mãos, como se segurasse a sua própria carne entre os dedos. Sente pingar, em vermelho sofrido, a consciência. Mancha os seus pés descalços acorrentados na ilusão, escorre pela lama provocada na qual pisa. Ela encosta a testa na parede. Chora pela última vez. É barreira. É pedra. É lápide sepulcral. A descobridora de humanidades quer viver, descobrir algo que a torne ainda mais humana, o amor. Chega de dor. Lama chutada, corrente arrebentada. Olha para os lados. Ela é forte. Esquerda ou direita?

Saturday, June 03, 2006

Lavar separadamente.

As cores fortes mancham.
Ao tirar as impurezas da roupa suja,
Favor, lavar separadamente.

Esqueceram...
O vermelho sangrou em tudo.

Sunday, May 21, 2006

...


O que eu mais faço ultimamente...Voar pelas nuvens das paredes do meu quarto. Criando vários mundos, desbravando-os, visitando-os, reinventando-os. Levada pelas sintonias, tocadas pelo rádio, atravessadoras dos ares que chegam até mim e me elevam. Levam-me... Vejo um rio de sal, mar deserto, ventos de cores, estradas de letras, vasos de luzes, fontes de versos, jornadas adornadas por flores. Meu maior bem é minha imaginação. Idéias aos montes, chuvas delas. Duas para curtas, lembrar de escrever mais tarde para não esquecer. Esquecer... O que não se deixa ser esquecido. Vejo do teto branco brotar o rosto que me fazia bem. Despeço-me da única visita que não veio e desvio a cabeça novamente para as nuvens tranqüilas pintadas de alma branca. Volto aos meus mundos, mergulho no azul dos meus céus em alta velocidade, para escapar do mundo real no qual estou mergulhada, o da solidão. Perceber que não se tem com quem contar machuca, mas liberta. Se, ao menos, eu pudesse agora correr lá pelos meus jardins... Transpirar em energias as desilusões, já estaria melhor só em respirar a arte daquele lugar. Cansada de ficar deitada, quieta, esquecida. Saudades de ver o mar... Fecho os meus olhos e estou no Fortim, deitada de tardezinha na areia fria, vendo os pescadores e seus barcos e suas mãos cansadas e seus olhares fortes. É, definitivamente, minha imaginação é meu maior bem... Estou na rua, estou na lua. Vou com o vento pra qualquer tempo. Sem sair do lugar. Quem sabe isso também não pode virar um curta?

Monday, May 08, 2006

Numa calçada qualquer de sonho, seu sorriso.

Isso foi pra eu deixar de duvidar. Nada é certo e eu não sei é de nada dessa vida. Sonhos bons são sempre possíveis? Mesmo quando o agora ri na sua cara?

São sim! Sopraram na minha noite cinzenta um punhado de surpresa. Como fui cruzar logo com você...Em tanto tempo,nunca presente em qualquer sonho. Tantas vezes, ao longo do meu dia, hoje, a mesma imagem repetida...Condensou a vastidão das palavras, de maravilha pelo encontro em espaços desconhecidos, em um sorriso, que também vi sair pelos olhos. Sua camisa de botão dobrada de qualquer jeito, seu jeito casualmente desligado. Quem sabe com sorte, hoje tem mais? Vem me encontrar sempre assim com seu cabelo banguçado que eu rasgo qualquer carta de despedida! Vou desenhar seu rosto no ar, pra ele me acompanhar e me lembrar que esse mundo é legal por ter alguém assim...assim bem...você. Disse a coisa certa no meu ouvido na hora precisa: Indiferença de um “que seja...” não é pra Linda não!

E viu como ela tá cuidando direitinho de mim?

Abraço! Forte! Beijo! Fortíssimo!

Até a próxima, numa calçada qualquer de sonho.

Saturday, May 06, 2006

Saudades da casinha.

Suspiro. Escada. Trabalho. Cópia. Produzir. Enfado. Assinar. Cansaço. Café. Choro preso. Rua cheia. Calor. Tédio. Carros. Pressa. Sinal vermelho. Dinheiro. Pessoas rápidas. Calma. Saudade. Nada. Ansiedade. Remédio. Rotina. Desejo. Medo. Sofá. Controle. On. Vazio. Off. Vazio. Teto. Pés. Mouse. Virtualidade. Conversa fora. No donut for you. Aparências. Angústia. Solidão. Anti-sociabilidade. Aperto no peito. Choro contido. Sede. Preguiça. Insônia. Vento. Janela. Prédios. Chuva. Tempo. Espera. Cheiro. Coragem. Calar. Fome. Falar. Incômodo. Ciúme. Raiva. Razão. Confusão. Não. Poeira. De novo. Emoção. Talvez. Mentira. Espelho. Dúvida. Escova de dentes. Descarga. Água na nuca. Maquiagem. Máscara. Escolhas. Guarda-roupa. Falsidade. Guarda-jóia. Gula. Guardanapo. Sair. Guarda-chuva. Insatisfação. Álcool. Fantasia. Barulho. Blé. Silêncio. Melancolia. Retocar batom. Disfarce. Voltar. Lua. Fuga. Alma. Revolta. Resignação. Frustração. Lacuna. Decepção. Choro escasso. Defeitos. Vícios. Manias. Cama. Amanhecer. Anoitecer. Relacionar-se. Expectativas. Amar. Desamar. Dias. Dias. Dias. Lembranças. Infância. Brincar de casinha.

A vida que imaginava quando criança...Nostalgia de memórias criadas, as saudades companheiras dessa época relembram a felicidade imaginada dos dias inventados...

Choro rasgado.

Saudades da casinha.

Sunday, April 23, 2006

num fôlego só.

minhas mãos não andam acompanhando a velocidade dos meus pensamentos. encarcerada, entre os ponteiros que sinto labirintos, não consigo escrever. elétrica, presa num ritmo lento, arrastado, demorado, prolongado, alongado e sanguinário. ando, ando, ando e não saio do lugar. grito, grito, grito e nem um som se faz no ar. giro, giro, giro veloz nesse turbilhão que se move a passos de formiga. ontem, dirigindo meu carro, senti-me tão livre que quase achei que podia voar...o que é voar? talvez, por na alta velocidade encontrar sintonia para o meu pensar. o que é pensar? ver aquela imagem bonita de rua inteira a frente me fez bem. ouvir os carros ao longe. som de vida. o que é vida? me faz bem. te quero bem. meu maior bem querer. ainda. parece que sempre. me ler sempre. o que é sempre? isso que não passa. viva, não se despeça. vai embora de mim. ser racional. o que é razão? ainda te afeto e não passou como deveria. qual é o problema então, homem? o que é homem? o que sou eu? o que é você? o que é isso?

respiro.